Mulher afirma que foi levada à capital paulista com promessa de carreira de modelo e acabou envolvida em esquema de exploração sexual
Uma brasileira afirma ter sido aliciada ainda adolescente para um esquema de exploração sexual ligado ao empresário americano Jeffrey Epstein.
Em entrevista à BBC News Brasil, a mulher identificada na reportagem pelo nome fictício Ana relatou que foi levada para São Paulo com a promessa de iniciar carreira como modelo e acabou inserida em um ambiente de exploração sexual.
Segundo o depoimento, ela deixou a casa dos pais aos 16 anos para trabalhar em uma agência de modelos no sul do país. Um ano depois, teria recebido convite para atuar na capital paulista.
Promessa de trabalho e retenção de documentos
De acordo com o relato, ao chegar a São Paulo no início dos anos 2000, a jovem foi recebida por uma mulher ligada ao setor de moda que, segundo ela, solicitou seus documentos com o argumento de que seria necessário providenciar um passaporte.
A brasileira afirma que os documentos ficaram retidos por meses e que, nesse período, foi informada de que teria contraído uma dívida referente à passagem aérea e à produção de um book fotográfico.
Pouco tempo depois, ela diz ter descoberto que não havia oportunidades reais de trabalho como modelo.
“Quando percebi, estava sendo negociada para prostituição”, afirmou.
Encontro com Epstein no Brasil
Segundo Ana, um dos clientes apresentados a ela teria sido Jeffrey Epstein. Ela afirma que os encontros aconteceram em um hotel de luxo na capital paulista.
O relato indica que o empresário americano teria participado de um jantar e de um evento na cidade antes de convidá-la para viagens ao exterior.
Epstein foi acusado nos Estados Unidos de comandar uma ampla rede de exploração sexual de adolescentes. O empresário morreu em 2019 em uma prisão de Nova York enquanto aguardava julgamento por novas acusações.
Viagens internacionais e vistos
A brasileira afirmou que posteriormente viajou para outros países para se encontrar com Epstein. Segundo ela, um visto para os Estados Unidos teria sido obtido por meio de um suposto contrato com uma agência de modelos ligada ao agente francês Jean‑Luc Brunel.
Brunel foi investigado por suspeitas de recrutar jovens modelos para Epstein. Ele morreu em 2022 em uma prisão na França enquanto aguardava julgamento.
Durante esses encontros, Ana diz que também conheceu Ghislaine Maxwell, condenada em 2022 nos Estados Unidos por recrutar adolescentes para abuso sexual pelo bilionário.
Investigação no Brasil
O caso citado pela brasileira faz parte de uma série de reportagens que revelaram possíveis conexões entre Epstein e modelos recrutadas no Brasil.
Após a publicação de reportagens sobre o tema, o Ministério Público Federal abriu investigação para apurar se havia uma rede de aliciamento no país ligada ao empresário.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que, em tese, situações como a relatada podem configurar tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, crime previsto na legislação brasileira e em tratados internacionais.
Segundo autoridades, mulheres que tenham sido vítimas desse tipo de esquema não são consideradas responsáveis pelos crimes e podem colaborar com investigações para identificar possíveis redes de aliciamento.
Direito de resposta
O espaço permanece aberto para manifestações de pessoas ou instituições citadas na reportagem.
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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