Visita ao morro, pouso esperado e gratidão: sobreviventes celebram volta à Colômbia

A viagem que começou no dia 28 de novembro de 2016 enfim foi concluída para Jakson Follmann, Alan Ruschel e Neto. Pouco mais de cinco meses depois do trágico acidente com a delegação da Chapecoense, os três sobreviventes celebraram o pouso em Medellín antes do jogo contra o Atlético Nacional, pela Recopa. Emocionados na volta à Colômbia, eles revelaram o desejo de visitar o local da queda do avião e expressaram um simples desejo: o de agradecer.

 – Estou feliz por retornar à Colômbia. Até brinquei com o Alan de que finalmente pousamos na Colômbia. Estamos bastante emocionados, passa um filme na cabeça por poder voltar, agradecer o carinho de todos. É o mínimo. Vamos ao hospital ver os médicos, enfermeiros, poder abraçá-los, conversar, e queremos passar no local do acidente. Conheci há pouco tempo a pessoa que me resgatou, estava ansioso. Queremos ver essas pessoas, poder abraçar – disse Follmann, em entrevista que contou com a presença do também sobrevivente Rafael Henzel, jornalista.

– Eu era a única pessoa que não queria ir, mas quando cheguei na Colômbia decidi ir. Estamos juntos nessa. Como não lembramos de muita coisa, pode ser uma resposta. Na verdade, é mais uma curiosidade para apagar de vez – completou, no início da coletiva.

O zagueiro Neto foi o segundo a se pronunciar.

– Já me emocionei chegando na Colômbia, sobrevoando as montanhas, passamos perto do local. Vou me emocionar, mas necessito. Preciso sentir esse emoção, preciso ir neste local. Talvez, aquele local fosse do término da minha vida e preciso ver tudo. As pessoas falam que eu fiquei oito horas sem socorro, que caí do avião, mas para mim é surreal, preciso ver com meus olhos. Vai ser um dia emotivo, mas vai ser um dia legal. Eu precisava ver de perto tudo isso e foi para isso que vim.

– Conversei com a pessoa que me resgatou e contou a história, que me escutou gemer de dor. Troquei mensagens e quero vê-lo. Meu coração vai ser eternamente grato a ele. Tudo tem a mão de Deus, que o colocou naquele local, naquele momento. Já tinha sido emitida uma nota de que as buscas tinham sido encerradas e ele não foi por acaso. Foi Deus que colocou.

Neto ainda falou sobre a possibilidade de um dia vestir a camisa do Atlético Nacional e revelou ser admirador do futebol de um dos jogadores da equipe colombiana.

– Gostaria, sim, de jogar no Atlético Nacional. Gosto muito do futebol do Enriquez, zagueiro. Já tinha falado com ele. Seria um prazer enorme fazer parte do Atlético Nacional, mas preciso colocar um tijolo por vez na minha construção.

Os sobreviventes vão visitar o hospital pela manhã e o local do acidente na parte da tarde desta terça-feira. O segundo jogo da Recopa está marcado para esta quarta-feira, às 21h45, em Medellín. Na ida, a Chapecoense venceu o Atlético Nacional na Arena Condá por 2 a 1.

Veja o que mais disseram os sobreviventes:

FOLLMANN
– Sempre fui essa pessoa brincalhona. Não caberia a mim ficar jogado no canto e depressivo, achando que o mundo acabou. Perdi a minha perna, mas minha vida não acabou. Com uma perna, vou conseguir ir além. Entrei para família de ferro. Sempre comentamos que vamos honrar os que partiram aqui na terra. Eles estão em primeiro lugar, são nossos anjos.

– Só agradecemos aos colombianos. Ninguém está vegetando em uma cama, ninguém sofreu nenhum traumatismo. Rafa voltou ao trabalho, Neto e Alan também, eu também. Foi um milagre e estamos felizes pelo carinho e cuidado.

NETO
– Quando eu estava chegando, fiquei muito emocionado. Entendi que era para ter completado aquela situação. De repente, não teria o acidente, jogaríamos e poderíamos ganhar. Já sabíamos que a Recopa seria contra o Atlético Nacional.

– Quando cheguei, vieram muitas lembranças daquele dia. Porque era isso que era para ter acontecido. Chegar, descansar, jogar. Isso tudo aconteceu por escolhas erradas. O ser humano coloca tudo a perder por pouquíssimas coisas. É assim na vida. As pessoas colocam tudo a perder por dinheiro, por algo que dizem que é religião. E prejudicam muitas pessoas.

ALAN RUSCHEL
– É uma página que jamais será virada, nunca vamos esquecer. Viemos aqui para agradecer por tudo que o povo colombiano fez pela gente, os médicos, a torcida… Era importante para gente estar aqui. Nossa vinda é de agradecimento. Nossa viagem começou no dia 28 de novembro e não se encerra aqui. Continuam com as boas lembranças que vamos levar.

Fonte: Globo Esporte


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