Somadas, médias de público dos times de SC no Brasileirão caem 36% desde 2014

Todo mundo queria ver a novidade. O time verde da região Oeste de Santa Catarina recebia as grandes equipes. O clube, que cinco anos antes disputava a quarta divisão, batia de frente com gigantes. Nas últimas quatro temporadas no Estado, a Chapecoense de 2014 teve a maior média de público em um estádio de futebol no Brasileirão. Na época, eram pouco mais de 10 mil na Arena Condá por jogo. Hoje, os cinco clubes que disputam as três divisões nacionais têm 26,8 mil somadas as médias – o líder da Série A, Corinthians, tem 38,5 mil. Em 2014, juntos, Avaí, Chape, Figueira, Criciúma e JEC tinham em conjunto 42.355 em média. Em três anos, a redução é de 36%.

O público do Verdão vinha em declínio até este ano. O sentimento aflorado pela tragédia do ano passado fez com torcedores “voltassem” à Arena Conda. Ainda assim, mostra o quanto um clube de SC está sujeito ao desempenho para que haja gente na arquibancada. O Avaí deste ano, que está desde a quinta rodada na zona de rebaixamento, tem aproximadamente 1,2 mil a mais que o time que subiu em 2016. Mas o JEC da Série B de 2014 teve mais torcedores que o time da Série A em 2015.

Os clubes se esforçam com promoções. Com queda de público desde o descenso à Série B, em 2014, o Criciúma só conseguiu ocupar quase 20% do Heriberto Hülse ao ofertar ingresso pela metade do preço ao sócio. O 1 a 1 com o Paysandu teve 3.574 torcedores e foi o maior público na Série B deste ano.

– Fazemos (as promoções) em momentos essenciais – diz a gerente comercial do Tigre, Viviane Olímpio.

Estas ações ajudam a suavizar o encolhimento da média de público. Os clubes sofrem com as divisões em que estão e os resultados dentro das quatro linhas. A alternância entre as séries A e B é refletida na média do Avaí.

– A divisão é importante. O futebol da Série B não é tão vistoso quanto o da A – atesta Thiago Pravatto, diretor de marketing.

Os clubes são reféns de estarem em divisões superiores, mas também por responsabilidade própria. A presença na elite ou a luta para chegar nela são argumentos para vender mais ingressos e planos de sócios – e levar mais gente às praças esportivas.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Menos é mais

Menor o valor do ingresso, mais torcida no estádio. Conta breve e de resultado simples. Figueirense e Joinville usam do expediente e com abordagens diferentes. Dos cinco clubes catarinenses, o do Norte tem o preço menor e resultado que não pode ser desprezado.

O JEC passou a cobrar R$ 20 o bilhete para o setor mais barato – e maior – da Arena Joinville. O plano foi reduzir o custo operacional para realizar jogo no estádio. A diminuição de R$ 30 no ingresso do Estadual para a Série C fez com que o prejuízo caísse à metade – hoje na faixa dos R$ 11 mil. De quebra, mesmo na Terceira Divisão, a média de público só é menor que a dos times da elite.

– Ainda não conseguimos a quantidade mínima para não haver prejuízo, que é 1,8 mil ingressos (a média de vendas é de 959) – explica Edcarlos Natali, superintendente geral do Joinville.

O Figueirense também aposta em redução, mas com outro intuito. Ao assumir a gestão, o CEO Alex Bourgeois demonstrou o desejo preencher o Setor B. O ingresso do último jogo era R$ 10 para o espaço. Alcançou maior público e abriu um caminho.

– Estamos em fase de criação de programas para beneficiar o torcedor de menor renda e de parcerias com o poder público para elevar a torcida no estádio. Ainda teremos novidades sobre isso neste ano – assegura o gerente do marketing do Figueira, Fernando Kleimmann.

O plano alvinegro tem enfoque claro: custo baixo para atrair o torcedor. De acordo com o especialista em gestão e marketing esportivo Amir Somoggi, a redução é uma alternativa para criar interesse, como um contrapeso pela baixa qualidade técnica do futebol praticado no Brasil e pouco conforto nos estádios.

– Não apenas o valor do ingresso. O brasileiro não vai ao estádio, é cultural. Menos de 10% da população brasileira vai ao estádio. Com o preço de R$ 10 ou próximo disso, o brasileiro continua a não ir, mas os números melhoram. O preço afugenta, mas a qualidade do espetáculo é o problema. Na Copa do Mundo, as entradas tinham alto valor, e os estádios estiveram lotados – contesta Somoggi.

* Colaboraram Darci Debona, Elton Carvalho e Lariane Cagnini.

 

Fonte: DC


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