Santa Catarina foi o quinto Estado que mais reduziu a Mata Atlântica no último ano, aponta estudo

À primeira vista, parece pouco. Mas 846 hectares – o equivalente ao território de Centro, Morro da Cruz e Agronômica, em Florianópolis – formam a área de Mata Atlântica suprimida no Estado somente no espaço de um ano, entre 2015 e 2016. É o que aponta o relatório do Instituto SOS Mata Atlântica. Conforme o Atlas da Mata Atlântica, Santa Catarina é o quinto Estado brasileiro que mais devastou o bioma no período — atrás de Bahia, Minas Gerais, Paraná e Piauí. Houve um aumento de 41% em relação à área impactada mapeada entre 2014 e 2015, que era de 598 hectares.

O levantamento foi feito com base em imagens de satélite capturadas no ano passado, comparadas com outras de anos anteriores. Um programa de computador comparou as fotografias, que focavam áreas a partir de 3 hectares, e ressaltou pontos onde a vegetação foi suprimida ou reduzida.

Entram nessa análise os 17 Estados que fazem parte do bioma e ecossistemas como vegetação litorânea, restinga, manguezais e mata de araucárias, por exemplo. Apenas regiões onde havia muita concentração de nuvens não puderam ser analisadas, principalmente no Meio-Oeste catarinense.

No Brasil todo, foram devastados 29 mil hectares, cerca de 60% a mais do que o observado entre 2014 e 2015. Segundo o instituto, há 10 anos não se registrava um decréscimo da vegetação do bioma nessas proporções. Em Santa Catarina, a supressão de Mata Atlântica agora é a maior desde o levantamento feito entre 2008 e 2010.

O que mais preocupa no Estado é que os registros estão espalhados pelo território, ou seja, não há concentração de desmatamento numa única área, o que torna mais difícil detectar as ações. Mas a faixa entre o Alto Vale do Itajaí e o Planalto Norte, além da região da Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, são os mais impactados.

A restinga também foi prejudicada entre 2015 e 2016. No país, 1.426 hectares foram suprimidos, um aumento de 110% em relação ao estudo de 2014 e 2015. Santa Catarina foi o terceiro Estado com mais impacto nesse tipo de vegetação, com 199 hectares, atrás apenas do Ceará (788 hectares) e Piauí (244 hectares).

Para o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani , é uma notícia preocupante, uma vez que desde 2010 o Estado reduzia gradativamente a área de Mata Atlântica suprimida. Em outro levantamento do instituto, divulgado em janeiro, Santa Catarina ocupava duas posições antagônicas: enquanto era o terceiro Estado do país que mais devastou o bioma de 1985 a 2015, também era o terceiro que mais regenerou a mata no período.

Entre os 10 municípios que mais contribuíram para a regeneração, oito são das regiões Oeste e do Meio-Oeste, liderados por Concórdia, que recuperou 971 hectares em 30 anos.

Mantovani explica que, pelas características do mapeamento no Estado, o desmatamento registrado em 2015 e 2016 está relacionado a dois fatores: o avanço das pequenas propriedades rurais mata adentro para ampliar terras produtivas e a especulação imobiliária no litoral, que afeta restinga e mangues.

Foto: Reprodução / Divulgação
Fonte: DC


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