Proteção veicular em cooperativas é alternativa para diminuir custo com seguro do carro

Ofertada por pelo menos 15 associações ou cooperativas em Santa Catarina, a proteção veicular tem caído no gosto de quem deseja se resguardar de um problema técnico, furto ou acidente envolvendo o próprio carro. No Estado, já são 40 mil associados ou cooperados que dividem entre si os custos do “seguro” do veículo em todos os tipos de prejuízo material. Entre aspas, porque esse tipo de negócio está à margem do mercado das seguradoras. Por mais atrativo que seja, já que o custo pode ser até 70% mais barato do que uma apólice convencional, há especialistas que ponderam os riscos da modalidade.

Ao entrar no esquema, o cooperado paga uma taxa de adesão, que custa em média R$ 400, além de mensalidades subsequentes que custeiam a operação. Em caso de sinistro, há divisão integral dos valores entre os associados. Exatamente por esse rateio é que o valor das parcelas torna-se variável. As cooperativas, contudo, garantem que a variação não é superior a 10%.

O taxista de Joinville Neri Jeverson Hoffmann, 52 anos, comprova a promessa feita pelos responsáveis pelas associações. Desde 2015, é adepto à proteção veicular da frota que controla. Depois que substituiu o seguro convencional pela proteção veicular, já teve mais de um sinistro e, em todos eles, diz ter sido bem atendido.

– O preço é 40% menor e a qualidade é a mesma. Considero até melhor, porque é possível falar com o proprietário ou o representante direto. Na seguradora, é preciso falar com uma máquina até chegar ao que se precisa – relata.

Além da relação mais próxima entre cooperado e cooperativa, o diretor de uma das associações, Eduardo Nelson da Silva Dada, explica que as associações abraçam uma parcela do mercado costumeiramente excluída pelas seguradoras – estimada em 35 milhões, segundo as associações. Pessoas com menos de 25 anos ou que tenham carros de valor elevado são exemplos.

– Hoje um jovem de 20 anos no mercado segurador convencional está sujeito a uma análise do perfil de risco que ele vai causar para a companhia. As associações não trabalham assim. É feita uma única analise do ano, modelo e versão do veículo, e checamos se o condutor é habilitado. Em cima disso, há uma tabela padrão para todos os associados. Assim, conseguimos fazer uma inclusão social de pessoas e veículos que não seriam aceitos – explica.

Estima-se que, no país, haja atualmente quantia superior a 2 milhões de cooperados espalhados em pelo menos 2 mil associações que compartilham os riscos por meio de cotas. A maioria é mineira, onde teria surgido a modalidade. A ideia nasceu há 15 anos em Betim (MG), quando um grupo de caminhoneiros que transportava cargas valiosas (medicamentos) ou perigosas (combustível) teve o seguro negado por seguradoras. Na sequência, uniram-se para custear o valor das proteções de veículos que dirigiam. Hoje, a atividade movimenta cerca de R$ 4 bilhões por ano no Brasil e emprega 200 mil pessoas. O modelo também existe em países como a Itália, a Espanha e a África do Sul.

Especialistas dizem que ausência de regulamentação 

O modelo mineiro foi replicado e adaptado à realidade de quem possui carro de passeio. Mas, até o momento, não há controle da prestação desse tipo de serviço, somente a tentativa de regulamentação por meio de quatro projetos de lei. Outro texto, no entanto, tenta criminalizar a atividade, já que a considera ilegal. Todos tramitam na Câmara dos Deputados, em Brasília.

“Como essas associações e cooperativas não estão autorizadas pela Susep a comercializar seguros, não há qualquer tipo de acompanhamento técnico de suas operações”, esclarece em nota a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão que controla a ação da principal concorrência: as seguradoras.

É possível encontrar relatos de associados que tiveram prejuízo no momento em que precisaram da proteção. O Portal do Consumidor, que reúne o Procon dos Estados, tem registros de serviços não entregues ou mal feitos, até quando o cooperado apresenta regularidade no pagamento das mensalidades.
Para a Proteste, esse tipo de negócio não apresenta requisitos como a reserva de recursos para cobrir os sinistros. O especialista em seguros da associação de defesa do consumidor, José Luiz Machado, considera as associações ilegais.

– Elas vivem à margem do que a Susep impõe, não têm normas, estudo técnico ou garantia para amparar os clientes, além de não ter corretores. Nós sempre orientamos que há melhores formas de se proteger, como o auto-seguro, que oferece preços até 40% mais em conta – diz.

Defensor de boa parte das cooperativas, o mineiro Renato Assis diz que não há ilegalidade no negócio. O advogado confirma que a fiscalização não vem da Susep, mas do Ministério Público, já que se trata de iniciativa popular, e de uma ouvidoria estabelecida pela Agência de Autorregulamentação das Associações de Proteção Veicular.

– Esse tipo de rateio de prejuízos através de mutualismo sempre existiu, mas vem ganhando força. A ideia não é concorrer com as seguradoras, mas atender a um público excluído por elas. É uma briga parecida com a dos taxistas com o Uber. Elas [cooperativas] são atrativas porque não visam ao lucro e são isentas de impostos — comenta Assis.

Dicas antes de aderir a uma proteção veicular

— Verificar há quanto tempo a associação ou cooperativa existe;
— Checar a reputação do negócio em sites do Reclame Aqui, do Procon e da Proteste;
— Procurar saber quantos sócios acumula (o ideal é que tenham pelo menos 500, já que a regularidade do pagamento das mensalidades dos cooperados pode cumprir a função da reserva de recursos das seguradoras);
— Identificar o procedimento em casos de tipos variados de sinistro, principalmente com quem já teve algum na condição se sócio ou cooperado;
— Ler atentamente ao contrato antes de assiná-lo.

 

Fonte: DC


Envie pelo WhatsApp a palavra 'Sim' para (49) 98824-6292 e receba as principais notícias da região.