Produtores de grãos e leite tiveram ano de preços históricos em Santa Catarina

Apesar dos números negativos da economia nacional, com queda do Produto Interno Bruto (PIB) e altas taxas de desemprego, o agronegócio catarinense segue mostrando força. Um dos indicadores é o aumento de 16,2% no Valor Bruto da Produção da Agropecuária em 2016.

– O ano foi ótimo, tivemos produtividade e preço bom. Quem se queixar é porque fez algo errado – avalia o produtor de grãos Flávio Fonseca, de Chapecó.

O agricultor afirma que nunca vendeu soja a preço tão alto. Neste ano, a saca chegou a R$ 86, contra menos de R$ 70 no ano passado. Além disso, ele aumentou a produção em 50%, passando de oito mil sacas para 12 mil sacas. Parte desse crescimento foi no aumento de área cultivada em 30 hectares. Além disso, Fonseca alcançou aumento de produtividade, de 65 para 73 sacas por hectare. Com o dinheiro que sobrou, comprou mais 42 hectares, que se somam aos 160 ha que ele já cultiva.

– Tivemos um ano de preços atípicos – avaliou o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri.

O presidente afirma que, com exceção de alguns setores, como a suinocultura, o ano foi bom. Nos municípios que têm base produtiva de leite e de fumo, a crise não chegou. Os dois produtos ficaram entre os que tiveram maior participação no VBP catarinense. Resultado positivo para o produtor:

– Nunca ganhei tanto dinheiro com o leite – afirma Rudinei Zanrosso, que mora no interior de Chapecó.
Zanrosso aumentou a produção de leite em 30% neste ano Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Ele lembra que o preço pago por litro, que estava R$ 1,10 no final do ano passado, chegou a R$ 1,88. Agora, caiu para R$ 1,25, mas permanece em um patamar melhor do que em 2015. Neste ano, Zanrosso aumentou a produção em 30%, com média de 1,7 mil litros por dia e, em 2017, quer chegar a 2,5 mil litros/dia.

Com o dinheiro do leite, Zanrosso está construindo a casa onde pretende se mudar após o casamento, previsto para maio.

Além dos produtores, as cooperativas agropecuárias também devem ter um crescimento de 20% na receita este ano. A avaliação é do diretor-executivo da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina, Ivan Ramos.

A Cooperativa Agroindustrial Alfa (Cooperalfa), com sede em Chapecó, deve atingir um faturamento de R$ 2,5 bilhões, com crescimento de 18% a 20%.

– Mais uma vez o campo está fazendo sua parte – afirma o presidente da Cooperalfa, Romeo Bet.

Ele disse que o resultado foi bom graças aos preços dos produtos, venda de fertilizantes e o desempenho de outros setores como rações e supermercados. No setor de suínos e aves houve dificuldades por causa do aumento de custos. Mesmo assim a exportação nacional de suínos deve crescer 30%, com boa participação de Santa Catarina.

 

Fonte: Diário Catarinense

 


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