Mortes em Manaus deixam sistema prisional de Santa Catarina em estado de atenção

As 60 mortes de detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, espalharam pelo país uma preocupação entre as autoridades do sistema prisional. Em reportagem publicada no Jornal O Globo desta terça-feira, um representante do governo federal afirmou que a guerra entre facções criminosas pelo controle do narcotráfico pode causar efeitos também em Santa Catarina, assim como em Pernambuco e Paraíba.

A fonte ouvida, que não foi identificada, ressaltou que a disputa em solo catarinense é pelo lucro das drogas compradas fora do país. Segundo o texto, “autoridades federais apontam a possibilidade de rebeliões sangrentas em Santa Catarina, onde dois grupos rivais brigam pelos lucros de drogas vindas do Paraguai”.

Assim como no Amazonas, uma das facções que está em guerra em SC é o Primeiro Comando da Capital (PCC), com sede em São Paulo, mas com presença em todos os Estados brasileiros. Diferente de Manaus, onde os adversários são do grupo Família do Norte, aqui o confronto é com o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), apontado como responsável pelos atentados ocorridos no Estado em 2012, 2013, 2014 e 2015.

O governo catarinense admite que os grupos disputam espaços dentro das unidades prisionais, assim como ocorre nas ruas. Em comunidades de Florianópolis, São José e Joinville há registros de mortes entre as duas facções. A comunidade do Papaquara, no Norte da Ilha, na Capital, onde uma turista gaúcha foi morta na madrugada de 1º de janeiro, é um dos pontos onde há rotineiras batalhas por pontos de drogas.

Diferente de Amazonas, porém, em SC não há registro de rebeliões e confrontos violentos entre os grupos dentro de presídios ou penitenciárias. Na última semana, um dos líderes do PGC, Sebastião Carvalho Walter, foi atacado por outros detentos na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis.

Ele é integrante do 1º Ministério da facção, posto mais alto na hierarquia do grupo. Até o ano passado ele estava detido na Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Ele havia sido transferido para lá depois dos ataques de 2013. Walter está internado em estado grave sob forte esquema de segurança depois de ser feridos com estoques, que são facas improvisadas. Para os responsáveis pelo sistema prisional catarinense, porém, esse crime não está ligado à disputa de facções, mas sim a um desentendimento interno do próprio grupo catarinense.

Áudio de presos de Manaus em 2014 fez referência a SC

Reportagem divulgada pela revista Veja em 2014 mostra que os detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, tinham conhecimento das ações dos presos em SC. Segundo o material, em um áudio interceptado entre um detento da unidade e o então subsecretário de Direitos Humanos e Cidadania do Amazonas, ambos negociavam para que não ocorressem problemas dentro dos presídios locais.

Em determinado momento, o preso disse ao subsecretário: “Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina (vários ataques)? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui, a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós”.

Secretário-adjunto admite estado de atenção

O secretário de Justiça e Cidadania de SC, Leandro Lima, é cauteloso ao tratar da disputas entre facções. Para ele, diferente do que diz o Globo, os confrontos não são localizados apenas nos Estados citados na reportagem, mas estariam espalhados em todo o país.

Lima admite, porém, que o sistema prisional catarinense está em estado de atenção por conta da rebeliões em Manaus:

— Há atenção maior, evidente. Estamos em Operação Presença desde 13 de dezembro e vamos seguir até o dia 9. Se for preciso, a gente amplia.

O secretário afirma que o diferencial dos presídios e penitenciárias catarinenses é a forma com que os presos são separados. Os Estados que separam melhor é que tem resultados mais efetivos:

— Isso não quer dizer que estamos imunes — ressalva.

Fonte: Diário Catarinense


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