Frigorífico da JBS encerra produção e começa demissão de pelo menos 600 funcionários

Dois meses após anunciar o fim da unidade de Morro Grande, a JBS encerrou ontem os abates no frigorífico. Cerca de 600 pessoas da cidade de 3 mil habitantes e região vão assinar a demissão nos próximos dias.

A produção de aves da unidade será absorvida pelas plantas vizinhas de Forquilhinha e Nova Veneza e por outras fábricas que a empresa mantém no Estado. Continuará funcionando no local apenas a produção de rações e outros itens agropecuários.

— Nós vamos nos sentar com representantes da empresa para montar o calendário de demissões. A ideia é atender no máximo 60 trabalhadores por dia — destaca o diretor do sindicato dos trabalhadores, Célio Elias.

Ainda segundo ele, um quarto dos produtores de frangos da região que abasteciam a unidadesserão desligados. A planta abatia cerca de 56 mil cabeças por dia. Em 2016, antes da crise se aprofundar, esse número chegava a 110 mil, aponta Elias.

Além das verbas de recisão, cada funcionário com mais de um ano de casa vai ganhar R$ 1,25 mil de indenização, garantido após acordo entre Ministério Público do Trabalho, sindicato e empresa. Para quem tem menos tempo, esse valor será dividido de acordo com os meses trabalhados. Cerca de 100 pessoas serão transferidas para outras unidades.

Empresa diz que negocia venda

Em nota, a JBS confirma que há negociações para venda da unidade e que o assunto está nos planos da empresa desde que decidiu pelo encerramento das atividades de abate da planta. “A companhia esclarece que iniciou as negociações já no fim do mês de setembro”, diz o texto.

O prefeito de Morro Grande, Valdionir Rocha, se reúne há dois meses com representantes da JBS e autoridades catarinenses para tentar resolver a situação. Ele afirma que o fechamento vai prejudicar toda a região. Só na cidade, o encerramento das atividades representa queda de 60% na arrecadação.

— Hoje o comércio sobrevive em torno das pessoas que trabalham na JBS. O emprego direto dessa unidade significa seis empregos indiretos. Ou seja, sete pessoas são afetadas — acrescenta.

Valdionir acrescenta que apenas a folha de pagamento dos servidores consome 44% da arrecadação, cerca de R$ 500 mil com os encargos sociais.

— Utilizamos o nosso ICMS exclusivo para isso. Agora vamos tirar de outras fontes, como o Fundo de Participação dos Municípios. Milagre não se pode fazer. A gente montou um plano de governo conforme a receita da cidade. A partir do momento que a fábrica fecha, temos que cortar 50% da estrutura. Vamos manter as áreas prioritárias como saúde e educação — finaliza.

 

Fonte: DC


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