Excesso de chuva tem reflexo negativo na agricultura e pecuária

A incessante chuva que castiga a região há 25 dias já soma prejuízos, tanto no meio urbano como também na agricultura. O acumulado de chuva já ultrapassa os 532mm. Conforme a Epagri Ciram, órgão que monitora as condições climáticas no estado. Esse período de 2017 já é comparado ao mesmo período do ano de 1983, que foi o último com regimes de chuva parecidos com o que a região enfrenta agora.

Conforme o engenheiro agrônomo e extensionista rural da Epagri de Xanxerê, Marcelo Henrique Bassani, na região os setores agropecuários, que sofrem perdas com as chuvas, podem ser divididos em culturas e criações. Dentre as culturas, Marcelo destaca que a principal perda foi com a safrinha de feijão.

– Temos o feijão de safrinha que aqui na nossa região é plantado em torno de 3 mil hectares. O que foi conseguido colher antes da chuva, que foi em torno de 50% está tranquilo e o restante ficou comprometido e impróprio para comer por conta da chuva e a germinação do grão. Temos um pouco de soja safrinha, em torno de 500 hectares para colher, mas a soja ainda está aguentando – comenta.

Marcelo Henrique Bassan, engenheiro agrônomo e extensionista rural da Epagri de Xanxerê (Foto: Alessandra Villani/Tudo Sobre Xanxerê)

Marcelo Henrique Bassan, engenheiro agrônomo e extensionista rural da Epagri de Xanxerê (Foto: Alessandra Villani/Tudo Sobre Xanxerê)

Outro setor que já começou a registrar perdas por conta da chuva intensa é a produção de hortaliças. A umidade do ar elevada facilita a proliferação de fungos que causam o apodrecimento das folhas.

– Temos um problema sério nas hortaliças, tanto com aquelas que estão a céu aberto, por conta que não tem sol e estão apodrecendo, como as que estão nas estufas por conta da umidade e por consequência o fungo, comprometendo as alfaces, couve-flor, cebolinha e demais folhosas que já somam 20% de perda na produção.
Prejuízos na produção de leite
A região é marcada por ser uma forte bacia leiteira e as chuvas prejudicam também essa produção. Em Xanxerê, a queda na produção de leite gira em torno de 15%. Em contrapartida, o custo para manter os animais aumenta, visto que a pastagem tem dificuldade de se desenvolver e é preciso complementar a alimentação dos animais com suplementos, ração e silagem.

– Os animais não estão conseguindo se alimentar direito por conta da chuva. Se os agricultores largarem os animais no pasto eles prejudicam o solo, compactuam e isso causa erosão, empobrecimento do solo e é um prejuízo enorme, então os animais se alimentam menos e aumenta o custo de produção porque estão substituindo por ração e silagem – comenta Marcelo.

Eleandro Arsego é produtor rural e trabalha com gado leiteiro. Sua produção fica dividida entre as vacas leiteiras, que permanecem fechadas, recebendo alimento, e novilhas que vão para o pasto. O produtor comenta que a chuva prejudica tanto os animais que vão para o pasto quanto os que ficam fechados.

– A chuva está prejudicando o solo, a pastagem não está vindo, as novilhas também estão sofrendo porque é muita chuva, a umidade nos pés está prejudicando, elas precisam de sol. As que estão fechadas também estão ficando doentes por causa da umidade do ar no lugar que elas ficam. Está tendo perca na produção, alguns até morrem por causa de muitos dias com chuva e umidade no ar. Aumentou o custo, diminuiu a produção e aumentou o gasto com medicamentos para os animais – lamenta o produtor.

Segundo ele, o custo de produção aumentou, pois quando não há tanta chuva, a alimentação do gado leiteiro é complementada com pasto que é cortado na propriedade. Sem a possibilidade desse corte, a alimentação das vacas é composta integralmente de silagem, ração e feno, o que aumenta o custo de produção em cerca de 20%.

Eleandro tem 340 vacas produzindo leite. Antes das chuvas, ele obtia um volume de leite diário de 9.300 litros. Agora esse volume diminuiu para 8.800 litros/dia, o que representa cerca de dois litros a menos por dia por vaca, o que soma 650 litros diários.
Excesso de chuva para o solo
Marcelo explica que o solo também é prejudicado por conta das chuvas. Segundo ele, os reflexos desse encharcamento que acontece agora poderão ser sentidos na próxima safra.

– Uma grande perda é da camada superficial do solo que é parte mais fértil para produção tanto de pastagem quando de culturas. As fortes chuvas arrastam esse perfil do solo para os rios, o que acaba causando a contaminação e o excesso de matéria orgânica nesses rios, o que se torna um problema para quem coleta as águas para abastecimento da cidade, no caso a Casan, vai ter que ter mais tratamento para limpar. Vamos ter mais matéria orgânica e deposição nas barragens, então vão ter um prejuízo maior, e a gente vai ter erosão e compactação do solo, que isso é um sério prejuízo para a agricultura. O produtor vai ter que corrigir o solo de novo, colocando mais adubos, talvez fazer curva de níveis onde a água abriu as erosões. Há também todo o empobrecimento do solo que é difícil mensurar em função do revelo que temos na região – destaca.

(Foto: Alessandra Villani/Tudo Sobre Xanxerê)

(Foto: Alessandra Villani/Tudo Sobre Xanxerê)

Quando o período chuvoso der uma trégua, várias entidades irão se reunir para fazer um levantamento dos prejuízos causados. Para esse mês de junho a previsão é para que a chuva pare a partir desta sexta-feira (9). Com isso, as temperaturas devem diminuir e na próxima semana há chance de chuva novamente, mas em volumes menores.
Perdas no Oeste Catarinense
Somadas as microrregiões de Chapecó, Concórdia e Xanxerê, são 71 municípios com 11,8 mil hectares plantados de feijão. E, a produção da safrinha era esperada em 22,2 mil toneladas. Segundo informações obtidas com técnicos e produtores dos municípios afetados, falta colher seis mil hectares de feijão e as perdas são estimadas em 50% da produção, ou seja, cinco mil toneladas que poderão ser perdidas. (Com informações do Governo do Estado)

Fonte: Tudo Sobre Xanxerê


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