350 famílias sofrem com falta de abastecimento de água

Pelo menos 350 famílias de Chapecó, no Oeste catarinense, sofrem com a falta de abastecimento de água. Há mais de um ano elas aguardam pelas obras que deve levar água de um poço artesiano até suas residências. Enquanto isso, os moradores e inclusive a escola dividem a utilização de poços.

O problema é enfrentado por sete comunidades localizadas no interior do município. Em dezembro de 2015 foi assinada ordem de serviço das obras de quase R$ 1 milhão para levar água encanada às famílias, mas os trabalhos ainda estão no início.

A água que chega na casa de Hermes Bueno Ribeiro vem de um poço, nos fundos da propriedade dele. A qualidade não é a melhor e a quantidade, insuficiente. “Dá, mas é pouco, nós temos três famílias aí, se bobiar, seca o poço”, diz o pensionista.

Já Odair Tortelli tem duas caixas d’água. De uma, a família bebe e faz comida. De outra, mais improvisada, vem a água para lavar roupa e tomar banho. Em nenhuma, a água chega canalizada da rua. “Graças a empresa onde trabalho, me empresta o caminhão e eu trago a água de barrica, água imprópria para as crianças, mas elas se obrigam a tomar nessa água não tem de onde tirar outra”, afirma o agricultor.

Segundo Eduarda Michele Jappe, vizinha de Odair, muitos moradores da comunidade querem deixar o local por causa dos problemas enfrentados com a falta de abastecimento de água. “Está bem difícil”, diz a dona de casa.

O casal de aposentados Célia Rivieira, de 74 anos, e José Rivieira, de 87, tem água de um poço ao lado de casa, mas não confiam na qualidade e só bebem após ferver. “Deixa esfriar, bola na geladeira e quando é para tomar, pega daquela”, diz José. “Aqui nós somos abandonados. Não tem água, o que eu faço?”, questiona Célia.

Era um sofrimento grande na escola, muitas vezes as merendeiras puxavam água de balde ”
Solange Padtorio Machado, agricultora

Divisão de poço artesiano
Seu José recebe uma conta de água, um recibo da associação de moradores, que leva água de um poço particular até algumas das famílias. Os moradores se reuniram em grupos de famílias para garantir o direito básico da água, que não chega às 350 famílias que moram nas comunidades de Baronesa da Limeira, São Roque I e II, Linha Marcon I e II, Monte Belo e Alto Baronesa, em Chapecó.

Em 2008, 13 famílias se reuniram, investiram R$ 40 mil e agora compartilham a água e os custos do poço artesiano todos os meses. “A gente não convive tanto com essa falta de água, pois  temos o poço particular, mas as outras famílias sofrem muito”, diz a agricultora Solange Padtorio Machado.

A água desse posto é utilizada também pela escola municipal da comunidade. “Era um sofrimento muito grande para eles na escola, muitas vezes as merendeiras puxavam água de balde da onde tinha”, completa Solange.

Poço secou
No entanto, algumas famílias não tiveram sorte na construção de poços artesianos. A família de José Carlos Mattes investiu R$ 14 mil para construir o poço que seria utilizado por oito famílias, mas a água não veio. “E terminou o dinheiro para a gente fazer. Agora, além desse poço, que não dá água, secou o outro que sempre teve água, toda vida. Agora está seco, o que vamos fazer?”, lamenta o agricultor.

Poço deve atender todas as comunidades
A promessa é que um poço artesiano que fica em um terreno particular atenda as famílias das sete comunidades da região. Mas por enquanto, nem famílias que moram próximo ao poço, como a doméstica Cleide Meister, recebem água encanada em casa. “Inclusive está faltando água com a estiagem e para nós está difícil”, diz Cleide.

Em nota, a Prefeitura de Chapecó informou que o município e a empresa responsável pela obra redefiniram o cronograma. A previsão é que a próxima etapa dos trabalhos comece nesta semana. “Como medida emergencial, iniciam nos próximos dias os serviços de prospecção de fontes de águas superficiais para distribuição às famílias necessitadas”, ainda informa o documento da prefeitura.

 

Fonte: G1 SC


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